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Cientistas desenvolvem uma nova abordagem para avaliar ataxia em casa

Escrito por Ziyang Zhao
Editado por Dr. Hayley McLoughlin
Traduzido para o Português por Priscila Pereira Sena

Um aplicativo para celulares recentemente desenvolvido permitirá aos pacientes avaliar a ataxia em casa.

Há um problema interessante em ciência frequentemente ofuscado pelos cientistas. Não é tão chamativo ou de grande interesse jornalístico como as manchetes científicas sobre a erradicação da poliomielite ou a criação da vacina contra o coronavírus, mas mesmo assim é de suma importância. Tal problema é a monumental tarefa de fazer com que pessoas se auto avaliem.

Veja que interessante: A Sociedade Americana de Câncer descobriu que quase 100% dos americanos estão cientes dos benefícios do rastreamento mensal para o câncer colorretal – um câncer prevenível e tratável, se detectado cedo – mesmo assim, quase 50 mil mortes relacionadas ao câncer colorretal acontecem anualmente nos Estados Unidos (Sociedade Americana de Câncer, 2016). Juntamente à primeira estatística, a Sociedade Americana de Câncer perguntou por que os indivíduos não-rastreados decidem permanecer desta forma. Um motivo importante foi a preocupação dos pacientes com a complexidade de realizar um exame: reservar um tempo fora do trabalho, ter uma carona para casa após o exame, e as altas despesas do próprio bolso.

Em doenças relacionadas a ataxia, os exames são similarmente complicados e a acessibilidade à avaliação não está prontamente disponível. O modo mais comum de medir o grau de ataxia em um indivíduo é através da escala para avaliação e classificação de ataxia (SARA), que avalia 9 habilidades afetadas pela ataxia e gera uma pontuação composta. O problema, no entanto, é que o teste SARA é complicado. É uma avaliação cara que requer que o paciente viaje ao hospital local e encontre um especialista nesse teste.

 

O teste SARAhome envolve uma pessoa realizando uma série de testes físicos. A pessoa filma a si mesma utilizando um tablet ou celular fixado a um tripé. Foto utilizada sob licença por Mascha Tace/Shutterstock.com.

Nesse estudo, os pesquisadores desenvolveram um método de avaliação de ataxia o qual chamaram de SARAhome, que corresponde ao teste SARA e pode ser realizado em casa. Enquanto o teste SARA original avalia 8 atributos, esse novo teste de ataxia só avalia 5, que incluem a marcha, postura, fala, teste dedo-nariz e teste de movimentos rápidos alternados das mãos. Para tornar o SARAhome ainda mais simples de ser feito em casa, os pesquisadores também incorporaram algumas modificações aos 5 testes selecionados do teste SARA, incluindo redução da distância de caminhada requerida, a realização dos testes de movimentos rápidos alternados e do dedo-nariz sentado em uma cadeira, e a substituição do dedo do investigador no teste do dedo-nariz por uma fita adesiva fixada a uma parede. Essas gravações em vídeo são enviadas a um avaliador experiente que, em seguida, gera uma pontuação.

Com essas modificações, os pesquisadores decidiram avaliar o novo teste com um estudo de validação prospectiva envolvendo 50 indivíduos. O processo de validação prospectiva serve para verificar se um sistema de protocolos funciona como foi planejado, antes de o produto ser implementado. Nesse estudo, o processo de validação foi feito para garantir que o SARAhome se correlaciona ao teste SARA. Os pesquisadores trouxeram os indivíduos ao laboratório e forneceram instruções orais, permitindo assim que os testes fossem realizados independentemente em um tablet. Os resultados foram promissores, correlacionando quase perfeitamente com a pontuação SARA dos pacientes.

Em seguida foi realizado um estudo de acompanhamento com 12 pacientes, para avaliar a viabilidade do teste em casa. Os pesquisadores deram instruções verbais a cada um dos participantes, junto com um infográfico contendo instruções detalhadas (veja o link para o estudo de pesquisa). Eles então acompanharam os pacientes sendo testados duas vezes ao dia, utilizando o aplicativo por 14 dias, e encontraram resultados positivos similares. Com esses dados promissores em mente, os cientistas implementaram seus testes baseados em vídeo em um aplicativo, que pode ser baixado em um tablet ou celular.

Ainda que mais testes em ataxia possam ter ganhos diretos aos pacientes de modo limitado, os benefícios aos cientistas e pesquisadores são enormes. Com acesso a medições repetitivas, os dados vão ficando mais detalhados e os cientistas se tornam mais capazes de acompanhar os sintomas de ataxia ao longo do tempo. Por exemplo, muitos ensaios clínicos hoje em dia na Ataxia Espinocerebelar do tipo 3 utilizam o SARA como medida primária de efetividade, com medições em intervalos mensais.

Caso, digamos, os cientistas fossem capazes de medir o SARAhome semanalmente, eles teriam muito mais dados para fortalecer seus estudos e avaliar as respostas dos pacientes a novas drogas e terapias. Estudos também mostraram que a pontuação SARA varia significativamente devido a fatores psicológicos, fisiológicos, cognitivos, ambientais e técnicos, e também depende se o paciente conduziu a avaliação de forma supervisionada ou não (Warmerdam et al., 2020). Os autores notaram que o SARAhome tem o potencial de ser uma ferramenta apropriada para estudar essas variações.

Por mais empolgantes que sejam essas novas invenções, existem algumas ressalvas. Primeiramente, o teste ainda tem que ser avaliado por um profissional treinado. Isso adiciona um elemento de subjetividade e incerteza que também afeta o teste SARA. Em segundo lugar, pacientes nos quais a ataxia tenha progredido além de um certo ponto podem não conseguir operar o aplicativo, e portanto precisam de assistência para usar o novo teste.

Em resumo, pesquisadores desenvolveram um teste proprietário para avaliar ataxia, e observaram que este se correlaciona estreitamente com a pontuação SARA. O teste SARAhome é composto por um subconjunto de avaliações do SARA, adaptados com o propósito de tornar os testes mais viáveis de serem feitos em casa. Através do aplicativo de celular, os pacientes são capazes de conduzir o SARAhome em casa. Esse novo modo de testagem vai permitir mais dados e em melhores detalhes, uma perspectiva interessante aos pesquisadores que trabalham em ensaios clínicos para doenças relacionadas a ataxia.

Termos-chave

Ataxia: Perda do controle muscular, levando a uma caminhada anormal, mudanças na fala e movimentos oculares irregulares.

Ataxia Espinocerebelar: Uma forma de ataxia em que o dano cerebral está localizado no cerebelo e na medula espinhal.

Câncer colorretal: Um câncer do colo ou reto, localizado na extremidade inferior do trato digestivo.

Cerebelo: Estrutura localizada próxima à parte posterior do cérebro. Ajuda na coordenação e movimento relacionados às habilidades motoras, especialmente as que envolvem mãos e pés. Aprenda mais neste Snapshot (texto em inglês).

Medula espinhal: Um longo conjunto de nervos e células que se estendem do cérebro até a parte inferior das costas. Transporta sinais entre o cérebro e o resto do corpo.

Ensaios clínicos: Estudos de pesquisa que visam avaliar intervenções médicas, cirúrgicas ou comportamentais em seres humanos. Aprenda mais neste Snapshot (texto em inglês).

Declaração de Conflito de Interesse

O autor e editor declaram não haver conflito de interesse.

Citação do Artigo Revisado

Grobe‐Einsler, M., Taheri Amin, A., Faber, J., Schaprian, T., Jacobi, H., Schmitz‐Hübsch, T., Diallo, A., Tezenas du Montcel, S., & Klockgether, T. (2021). Development of sara home, a new video‐based tool for the assessment of ataxia at home. Movement Disorders36(5), 1242–1246. https://doi.org/10.1002/mds.28478

Citações Adicionais

American Cancer Society. (2016). Top 5 reasons people don’t get screened for colorectal cancer. American Cancer Society MediaRoom. Retrieved November 10, 2021, from http://pressroom.cancer.org/Top5reasonscolorectalcancer.

Warmerdam, E., Hausdorff, J. M., Atrsaei, A., Zhou, Y., Mirelman, A., Aminian, K., Espay, A. J., Hansen, C., Evers, L. J., Keller, A., Lamoth, C., Pilotto, A., Rochester, L., Schmidt, G., Bloem, B. R., & Maetzler, W. (2020). Long-term unsupervised mobility assessment in movement disorders. The Lancet Neurology, 19(5), 462–470. https://doi.org/10.1016/s1474-4422(19)30397-7

 

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